sábado, 1 de março de 2008

Uma do outro dia.

O sol. Bem, o sol estava lá, do mesmo jeito: amarelo, grande, quente e ajudando com a vitamina D. (Na verdade, não tenho muita certeza dessa última característica, mas é o que dizem por aí.) Para um adulto, deveria ser uma mancha muito clara em um céu ofuscante, seria algo a não ser olhado nunca. O olhar de um adulto evitaria o sol e buscaria o chão. Entretanto, para uma criança seria um rosto com cara ruim, cara de outra criança que se diverte torrando formigas com uma lupa. Maldito sol. Pior que gosto dele, apesar do câncer e das ensolações que causa por aí.

Abraço o sol, às vezes. Masoquismo, ou não. Talvez seja uma doença inerente à maioria das pessoas que conheço: amar o sol, só porque ele queima, só porque ele tem aquela cara de criança má, só porque causa câncer. E não tenho ninguém que me sacuda e diga: "Iara, ame a lua, cante para a lua." Eu não poderia amar a lua, apesar de não deixar de ser uma adoração platônica. A lua é doce e eu sou mulher.

O asfalto também. Pega nas mãos do sol e me olha da mesma forma. Como que me miram e, infalivelmente, acertam-me, derretem-me. Eu me agarro ao leque, mas mal posso trocar com ele intimidades, com esses dois à minha volta, fuzilando o mormaço do meio-dia nas minhas pernas finas e descobertas.

8 comentários:

Thiago Fonsêca disse...

Eu só gosto do sol quando ele se afoga em alto-mar ou se esconde entre as nuvens carregadas.

Normando Laube Santos disse...

O sol...
Eu tenho me tornado um inimigo do sol. O sol com rosto de garoto mal, o sol com feições duras como as de um padrasto cisudo.
O sol não é mais o sol das crianças... Ele nem sequer é mais "sol".

Thiago disse...

É o mal da humanidade, gostar sempre de algo que nos faça mal. E se faço por exemplo: Sol, pessoas e situações. Sempre tendemos a gostar de coisas que não nos fazem bem. Fazer o que, né?

Gilliard disse...

"Iara, ame a lua, cante para a lua."

Seria mais interessante. E saudável...

Mas a paixão é sempre por aqueles que nos fazem sofrer. O ser humano vem com software de masoquismo instalado de fábrica...

=***

Dialética. disse...

Acho que os comentários dos moços aí em cima já disseram tudo.
Brigada, viu? Por entender.
O Sol escaldante esmaga e castiga sem piedade.
:****

Dialética. disse...

Uma coisa que dever ser ressaltada: fazer poesia não é tornar a realidade mais doce, e sim reconstruir a realidade a partir de elementos da própria realidade.
Você fez poesia, moça.

Raila disse...

Como diria Jimmy: "bom é quando faz mal"

†Garota Problema† disse...

eu nunca consegui adorar o sol. quer dizer, eu gosto, às vezes de sentir o sol morno na pele, mas isso quando ele vem timidamente. eu não gosto de sol ardido, forte. >.~ meu coração sempre pertenceu à lua. eu realmente gosto da lua. eu realmente gosto de você! e eu definitivamente sinto muita saudade ;**

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